A regulamentação da biotecnologia ainda é um dos principais desafios na área, o que pode dificultar sua aplicação na agricultura. Isso porque muitas das técnicas utilizadas envolvem o uso de material genético externo, o que torna o processo de aprovação dessas tecnologias mais complexo e pode deixar sua implementação pouco acessível e/ou mais lenta.
Nesse contexto, um estudo, fruto da tese de doutorado da Dhiôvanna Corrêia Rocha sob orientação da Dra. Alessandra Alves de Souza, investigou uma nova estratégia de edição genética em citros. A pesquisa traz para o agro brasileiro uma nova tecnologia de edição genética, conhecida como “transgene-free”, que permite realizar modificações no DNA das plantas sem a necessidade de inserir material genético de outras espécies.
Para isso, o estudo buscou testar uma técnica chamada biobalística, utilizada para levar ferramentas de edição genética diretamente até regiões de crescimento das plantas, chamadas meristemas. Essa técnica funciona como uma espécie de “microdisparo”, capaz de transportar pequenas partículas para dentro das células.
Essas partículas carregam o sistema CRISPR, uma ferramenta que atua como uma “tesoura genética”, capaz de cortar o DNA exatamente no ponto desejado. A partir desse corte, a própria célula ativa seus mecanismos de reparo, o que pode gerar pequenas alterações no material genético.
Como resultado, os cientistas conseguiram editar genes específicos nas plantas, mostrando que a técnica funciona. Ao direcionar o bombardeamento para as regiões de crescimento, aumentaram as chances de que essas alterações se espalhassem pela planta. Além disso, a tecnologia pode ser aplicada em diferentes espécies, inclusive naquelas que apresentam maior dificuldade de modificação em laboratório.
O estudo reforça o potencial dessa abordagem para o desenvolvimento de plantas mais resistentes a doenças, mais produtivas e melhor adaptadas às mudanças climáticas, como variações de temperatura, períodos de seca e alterações no regime de chuvas, que afetam diretamente a agricultura e a produção de alimentos.
No futuro, com o aprimoramento dessas estratégias, espera-se aumentar a eficiência das edições e ampliar sua aplicação em outras culturas agrícolas. Isso representa um avanço importante para a agricultura sustentável.
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