O CCD-CROP-IAC desenvolveu uma tecnologia inédita no Brasil que permite editar geneticamente plantas perenes sem a introdução de genes de outras espécies. Essa abordagem, conhecida como edição gênica transgene-free, possibilita o desenvolvimento de variedades mais produtivas e resistentes de forma precisa e segura. O avanço representa um passo estratégico para o melhoramento genético de culturas de grande importância econômica, especialmente aquelas que exigem longos ciclos de avaliação e adaptação às condições do campo.
Essa inovação posiciona o CCD-CROP-IAC na liderança da edição genética para plantas perenes no país e reforça o compromisso do projeto com o desenvolvimento de soluções sustentáveis para a agricultura. Ao reduzir o tempo necessário para o desenvolvimento de novas variedades, a tecnologia contribui para acelerar a resposta do setor produtivo a desafios como doenças emergentes, estresses climáticos e demandas crescentes por sustentabilidade.
A nova tecnologia é fruto da tese de doutorado de Dhiôvanna Rocha, sob orientação da Dra. Alessandra Alves de Souza, e contou com a colaboração de diferentes instituições de destaque, como o Centro de Citricultura e o Centro de Cana do Instituto Agronômico (IAC), além da UNICAMP, da USP e da University of Maryland (EUA). Essa articulação evidencia o potencial da pesquisa colaborativa para gerar soluções de alto impacto, especialmente em áreas estratégicas como o agronegócio, que demanda inovação contínua para enfrentar desafios produtivos, ambientais e econômicos.
Já imaginou melhorar uma planta usando apenas o que ela já tem?
A edição genética transgene-free funciona exatamente dessa forma. Em vez de inserir genes de outras espécies, a tecnologia promove ajustes precisos no próprio DNA da planta, de maneira semelhante às mutações naturais que ocorrem ao longo do tempo. Essa característica diferencia a abordagem das tecnologias transgênicas tradicionais e representa um avanço importante para o melhoramento genético de plantas.
Do ponto de vista técnico, a tecnologia permite editar genes específicos para ativar ou silenciar características de interesse agronômico, como resistência a doenças ou tolerância a estresses ambientais. Isso torna o processo de melhoramento genético mais rápido, preciso e direcionado quando comparado aos métodos convencionais. Em culturas perenes, como os citros, esse ganho é ainda mais relevante, já que o tempo de avaliação agronômica pode se estender por vários anos, exigindo investimentos contínuos e de longo prazo.
O resultado alcançado pelo CCD-CROP-IAC representa um avanço estratégico para a agricultura brasileira, ao fortalecer a capacidade nacional de gerar soluções próprias em edição gênica aplicada a plantas perenes. O método abre caminho para o desenvolvimento de novos cultivares de citros mais resistentes, seguros e adaptados às condições atuais do campo, contribuindo diretamente para a competitividade e a sustentabilidade do setor.
Outro diferencial importante está no enquadramento regulatório. Como não há introdução de DNA exógeno, as plantas editadas tendem a seguir processos regulatórios distintos daqueles aplicados aos organismos geneticamente modificados (transgênicos), o que pode facilitar sua avaliação e adoção. Esse aspecto amplia o potencial de aplicação da tecnologia no campo e sua aceitação por diferentes segmentos da sociedade.
Ao unir ciência, infraestrutura especializada e parcerias estratégicas, o CCD-CROP-IAC cria um ambiente favorável à inovação e à transferência de tecnologia. Esse modelo permite que o conhecimento científico avance desde a pesquisa básica até a aplicação prática, acelerando o desenvolvimento de novas variedades e ampliando o impacto da pesquisa pública no agronegócio.
“O desenvolvimento da tecnologia foi possível graças à criação de uma estrutura integrada no âmbito do CCD-CROP-IAC, que envolveu diferentes setores desde o início do projeto. A iniciativa articulou laboratórios e instituições públicas no estado de São Paulo, universidades no exterior e o setor privado, formando uma rede colaborativa estratégica. Essa estrutura permitiu o desenvolvimento de uma tecnologia inovadora de edição gênica aplicada a plantas perenes, capaz de gerar plantas mais resistentes e sem transgenia. A participação das empresas desde as etapas iniciais do projeto também favorece a transferência da tecnologia para o setor produtivo, acelerando sua aplicação prática e ampliando seu impacto na agricultura.”
Dra. Alessandra Alves de Souza
A tecnologia abre, assim, novas perspectivas para o futuro da citricultura e de outras culturas perenes no Brasil, contribuindo para uma agricultura mais resiliente, competitiva e alinhada às demandas sociais, ambientais e econômicas do século XXI.
Assista ao vídeo abaixo para saber mais e clique no link para acessar o artigo completo com todos os detalhes da pesquisa.
Links:
Confira alguns dos artigos científicos publicados no segundo semestre de 2025 por pesquisadores do CCD-CROP-IAC:
Transgenic diffusible signaling factor (DSF)-producing rootstocks confer resistance to Xonthomonas citri subsp. citri in grafted non-transgenic scions
Mariana Bossi Esteves et al. • Plant Disease (2025)
🔗 https://doi.org/10.1094/PDIS-03-25-0708-RE
Chromosome-level comparative genomics and host-specific fungal transcriptomics uncover adaptive virulence strategies in the sugarcane smut pathogen
Pedro Fernando Vilanova et al. • BMC Genomics (2025)
🔗 https://doi.org/10.1186/s12864-025-12160-1
OsFLN2 gene knockout reduces leaf water status and photosynthetic performance of rice plants under water deficit
Danyel Fernandes Contiliani et al. • BMC Plant Biology (2025)
© CROP IAC 2021 – All rights reserved
PRIVACY POLICY | TERMS OF USE