Sobre a Jacto:A Jacto possui uma história de mais de 75 anos que começou com o seu fundador Shunji Nishimura, em 1948, na cidade de Pompeia (SP). Atualmente, com fábricas no Brasil, Argentina e Tailândia, escritório comercial e Centro de Distribuição no México e Estados Unidos, a empresa comercializa seus produtos para mais de 100 países.
A Jacto oferece uma ampla linha de produtos de alta tecnologia, que vai de ferramentas para poda e pulverizadores portáteis a máquinas de grande porte para pulverização, adubação, plantio, colheita de café e cana-de-açúcar, além de equipamentos, sistemas e serviços para limpeza e sanitização. A Empresa também oferece soluções e serviços para a agricultura de precisão e agricultura digital, propiciando uma produção cada vez mais sustentável. A companhia é ainda parceira da Fundação Shunji Nishimura, que engloba um colégio de ensino infantil e fundamental, uma escola técnica do SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e uma Fatec (Faculdade de Tecnologia de São Paulo) com cursos inéditos voltados ao agronegócio.
Sobre o entrevistado:
Sérgio Sartori Junior é Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento – Máquinas Agrícolas Jacto S.A.
É Engenheiro mecânico pela UNICAMP, especialista em administração industrial pela Função Carlos Alberto Vanzolini – USP/SP, mestre em engenharia mecânica pela UNESP – Campus de Bauru. AMP pela IESE, University of Navarra, Espanha. Com grande experiência nas áreas Industrial e Engenharia, iniciou sua carreira como Trainee na UNILEVER onde atuou na gestão de projetos e na gestão de manutenção industrial. Na BUNGE ALIMENTOS atuou como Gerente de Engenharia e Serviços e como Gerente de Produção. Desde 2005 em Máquinas Agrícolas Jacto S/A, exerceu as funções de Gerente de Engenharia, Gerente da Qualidade e Validação e desde 2013 exerce a função de Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento.
1) Sérgio, é uma honra contar com a Jacto como parceira no avanço das pesquisas em prol do desenvolvimento sustentável da agricultura. Na sua visão, como a parceria com o CCD-CROP-IAC fortalece os compromissos da Jacto com a inovação e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)?
A colaboração entre a Jacto e o CCD-CROP-IAC pode consolidar uma estratégia para o desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas à realidade do agricultor, com inovações que promovam ganhos agronômicos, operacionais e econômicos nas lavouras:
Essa abordagem integrada entre ciência e mercado reforça o papel da inovação como motor de transformação no campo.
2) No campo da pesquisa aplicada, como ocorre a interação entre o Instituto Agronômico (IAC) e a Jacto? Você poderia destacar alguns projetos ou campos experimentais que refletem essa colaboração?
Melhorar a qualidade de pulverização, melhorar a segurança na operação, aumentar a produtividade e buscar a sustentabilidade são alguns direcionadores da pesquisa na Jacto.
Ainda no campo dos pomares, a Jacto já tem tecnologia que permite melhorar a qualidade da pulverização e aumentar a velocidade da aplicação, garantindo a qualidade da pulverização. E ainda, possibilita reduzir a quantidade de água utilizada na pulverização.
Um trabalho interessante de pesquisa aplicada, seria avaliar essas novas tecnologias e validar novos protocolos de tratamentos fitossanitários, que permitissem a evolução da citricultura nesta direção. Como alguns sabem, a Jacto é líder na mecanização da colheita do café. Mas, poucos sabem que essa mecanização tem sido usada ao longo dos anos nas variedades de café arábica, muito comuns nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná.
Segundo dados da Embrapa é estimado uma produção em 2025 de 55,67 milhões de sacas de 60 kg. Sendo 36,97 milhões de sacas (66,4% da produção nacional) proveniente de variedades arábicas (Coffea arabica). O restante de 18,70 milhões de sacas (33,6% da produção total) serão colhidos de cafés robusta ou conilon (Coffea canephora).
Essa variedade tem forte presença em estados como Espírito Santo, Rondônia e Bahia, onde se adapta melhor a climas mais quentes e altitudes mais baixas. Suas características fenotípicas lhe conferem alta produtividade, mas dificultam a mecanização da colheita. E, sabe-se que o IAC já pesquisou e possui clones de Coffea canephora “mais mecanizáveis”.
Um convênio do IAC com outros institutos agronômicos ou secretarias da agricultura de outros estados poderia ajudar a difundir esses clones nos outros estados da federação, permitindo um aumento da área plantada, o aumento da mecanização o aumento da eficiência e redução de custos de colheita nas lavouras.
3) Quais são, na sua opinião, os principais gargalos para o desenvolvimento de novas tecnologias agrícolas no Brasil? E de que forma a parceria com projetos de pesquisa de instituições de pesquisa, como o CCD-CROP-IAC, pode ajudar a superar esses desafios e acelerar a inovação no agro?
O avanço da inovação tecnológica no setor agrícola brasileiro é essencial para garantir competitividade, sustentabilidade e segurança alimentar. No entanto, ainda enfrentamos gargalos estruturais que limitam esse progresso e que precisam ser enfrentados com estratégias práticas e colaborativas.
Entre os principais desafios, destaco:
Diante desse cenário, acredito que algumas soluções práticas podem acelerar a inovação no agro brasileiro:
Acredito que o Brasil tem potencial para liderar a inovação agrícola global, mas isso exige articulação entre ciência, setor produtivo e políticas públicas. Parcerias como a da Jacto com o IAC mostram que é possível transformar conhecimento em soluções concretas para o campo.
4) A busca por soluções tecnológicas mais sustentáveis é hoje uma demanda global. Como você enxerga o papel da ciência pública, em parceria com empresas como a Jacto, na construção de uma agricultura mais eficiente, competitiva e sustentável a longo prazo?
A ciência tem um papel absolutamente estratégico na construção de uma agricultura mais eficiente e sustentável. Instituições como a Embrapa, os institutos estaduais de pesquisa e as universidades públicas foram responsáveis por transformar o Brasil em um dos maiores produtores de alimentos do mundo — e continuarão sendo essenciais para enfrentar os desafios que se desenham nas próximas décadas.
Hoje, a agricultura brasileira precisa responder simultaneamente a três grandes pressões:
Segundo projeções do IBGE, a população brasileira deve atingir cerca de 230 milhões de pessoas até 2050, enquanto a população mundial pode ultrapassar 9,7 bilhões. Isso exigirá um aumento significativo na produção de alimentos, fibras e energia — sem que isso implique em expansão descontrolada da fronteira agrícola.
Nesse contexto, vejo que os centros de ciência públicos e privados, aliados às empresas podem contribuir de forma decisiva em três frentes principais:
Nos próximos 10 anos, o foco poderia estar em tecnologias que aumentem a eficiência do uso de recursos naturais, como água e fertilizantes, e que reduzam perdas no campo. Isso inclui o desenvolvimento de cultivares mais adaptadas ao estresse hídrico, sistemas de plantio direto mais eficientes e máquinas agrícolas com menor pegada de carbono.
Empresas como a Jacto, com centros de pesquisa robustos e atuação global, têm capacidade de escalar essas soluções. Quando essas empresas se associam a institutos públicos como o IAC, que têm acesso a linhas de fomento e capilaridade regional, o impacto é multiplicado.
A ciência pública precisa ser fortalecida com financiamento previsível, desburocratização dos processos de fomento e valorização dos pesquisadores. Ao mesmo tempo, é necessário criar ambientes regulatórios mais ágeis para a aprovação de novas tecnologias, como biofertilizantes, defensivos biológicos e novas cultivares.
Arrisco uma visão para 2050.
Até 2050, a agricultura brasileira terá que produzir mais, com menos. Isso significa:
Acredito que parcerias entre ciência pública e empresas inovadoras serão impulsionadores dessa transformação. E o Brasil, com sua base científica sólida, diversidade agroecológica e capacidade produtiva, tem todas as condições para liderar esse movimento global.
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