A Agroterenas é uma referência no agronegócio brasileiro, com atuação destacada na produção de citros, cana-de-açúcar e grãos. A empresa, que conta com mais de 4.500 colaboradores e unidades produtivas em diferentes regiões do Brasil, investe continuamente em tecnologia e inovação. Na área de citricultura, a Agroterenas cultiva cerca de 8.000 hectares e tem se consolidado como uma das principais produtoras de citros no país, contribuindo para o desenvolvimento do setor e a sustentabilidade da produção. A parceria da Agroterenas com o projeto CCD-CROP-IAC, é um exemplo do investimento em pesquisa e desenvolvimento, a iniciativa visa desenvolver soluções tecnológicas para o enfrentamento dos principais desafios na citricultura, como o manejo do pomar e o greening.
Quem compartilha mais detalhes sobre essa parceria é o engenheiro agrônomo Márcio Augusto Soares, que integra a Agroterenas desde 2001 e atualmente ocupa o cargo de Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento Agrícola.
1) Márcio, é uma honra contar com a Agroterenas como parceira no avanço das pesquisas com citros. Poderia nos contar como essa parceria com o CCD-CROP-IAC pode contribuir para impulsionar avanços na citricultura?
A parceria público-privada com o Instituto Agronômico (CCD-CROP-IAC) é muito importante para a aceleração e viabilização de projetos que dependem de ambas as partes para serem conduzidos. Com essa parceria é possível levar os projetos até então desenvolvidos e “guardados” dentro das instituições de pesquisa públicas, para o campo onde serão observados, validados e adotados pelo usuário final da tecnologia desenvolvida, que normalmente é o setor privado. Essa parceria propicia também a troca de experiências entre os pesquisadores e profissionais da iniciativa privada, voltadas para um objetivo único que é levar os conhecimentos obtidos na academia para o uso efetivo no campo.
2) No campo da pesquisa, como ocorre a interação entre o IAC e a Agroterenas? Poderia destacar os principais campos experimentais e projetos em andamento?
A interação com o IAC acontece na troca de experiências entre as áreas científica (IAC) e de produção (Agroterenas) mediante a instalação e condução de experimentos de campo para validação de tecnologias tidas como promissoras pelos pesquisadores. Atualmente na Agroterenas está sendo conduzido um trabalho em campo cujo objetivo é avaliar o comportamento de porta-enxertos de citros com potencial de reduzir o porte das plantas, que venham a permitir o plantio adensado, possibilitando o aumento da produtividade (toneladas/ha), a melhoria da qualidade operacional no manejo da cultura e a facilitação da operação de colheita.
3) Quais são, na sua visão, os principais gargalos na cadeia de produção de citros? E como a parceria com o CCD-CROP-IAC pode contribuir para superar esses desafios?
Dentre os gargalos atuais da cadeia de produção de citros podem ser citados principalmente as dificuldades de colheita e a ocorrência da doença conhecida como greening.
A dificuldade de colheita acontece em decorrência do grande porte das plantas, que dificulta os colaboradores que executam a colheita manual a terem acesso às partes mais altas das plantas, o que aumenta os riscos de acidentes e reduz o rendimento do trabalho. O fato das plantas cítricas serem muito grandes dificulta também o desenvolvimento de equipamentos que possibilitaria a colheita mecanizada dos frutos.
O greening, também conhecido como Huanglongbing ou HLB, é uma doença bacteriana, transmitida por um vetor conhecido como psilídeo (Diaphorina citri), que provoca grande perdas de produtividade e prejuízos enormes à sanidade das plantas podendo levá-las à morte e inviabilizar os projetos de produção da cultura.
A parceria com o CCD-CROP-IAC vem com o intuito de possibilitar a validação para o uso de novos porta-enxertos com características ananicantes, que possibilitam obter plantas menores e menos vigorosas em campo, porém bastante produtivas e com boas características de qualidade de frutos. Desta maneira o processo de colheita será facilitado, o rendimento operacional será maior e a possibilidade de desenvolvimento de equipamentos para a colheita mecanizada será aumentada. Também, o fato de serem menos vigorosas (emitirem menores quantidade de fluxos vegetativos) terão a possibilidade de serem menos atrativas aos psilídeos (vetores do greening) e com isso apresentarem menores índices de infecção da doença.
© CROP IAC 2021 – All rights reserved
PRIVACY POLICY | TERMS OF USE