Empresa parceira Nuseed é o entrevistada desta edição

A Nuseed Brasil faz parte do crescimento global da Nuseed. Fundada em 2006, a Nuseed® agora conta com mais de 400 funcionários dedicados à pesquisa e desenvolvimento (P&D) e vendas comerciais de canola, carinata, sorgo e girassol na Austrália, Europa, América do Norte e América do Sul. Globalmente, a Nuseed oferece VALUE BEYOND YIELD™ (Valor Além da Produtividade) através de atendimento dedicado ao cliente.

Em 2022, a Nuseed adquiriu os ativos comerciais e de melhoramento de cana-energia da GranBio e o programa de P&D com o objetivo de melhorar o valor da energia produzida por meio da inovação em cana bioenergética.

Para entender a importância de parcerias público-privadas na pesquisa com Cana-de-açúcar, como a firmada entre Nuseed e IAC, conversamos com o Dr. José Antônio Bressiani, diretor de pesquisa e desenvolvimento de novas variedades de cana-de-açúcar da Nuseed.

1) O projeto para desenvolvimento de novas tecnologias que solucionem os principais problemas na cultura da cana, citros e café do instituto agronômico (CCD-CROP-IAC) é algo bastante inovador no Estado de São Paulo e temos a satisfação em contar com a parceria da empresa Nuseed para avanços nas pesquisas com a Cana. O senhor, poderia nos contar um pouco sobre a Nuseed e o quais avanços, com relação a cana, podem ser alcançados graças a essa importante parceria com o IAC?
R. A Nuseed é uma empresa de tecnologia de sementes da Australiana Nufarm, que em 2022 adquiriu o germoplasma de cana-energia da Granbio. O objetivo da Nuseed, com o germoplasma de cana-energia, é se consolidar como empresa fornecedora de soluções biotecnológica para a produção de biocombustíveis, bioquímicos e nano produtos, economicamente competitivos e muito sustentáveis. Para tanto, a Nuseed busca desenvolver novas cultivares de cana-energia, que possam ser plantadas em ambientes restritivos (ou por fertilidade do solo ou por déficit hídrico ou os dois) e que venha produzir fibra e açúcares em quantidade elevada, de forma econômica e que ao mesmo tempo contribuam para a melhoria da qualidade ambiental, no médio e longo prazo. Para alcançar esses objetivos, as novas cultivares necessitam ser bastante rústicas, e para tanto a parceria com o IAC é de suma importância, uma vez que busca, através de genes e promotores, aumentar a tolerância das futuras cultivares ao déficit hídrico. Para que se possa ter uma ideia do quão importante é essa parceria para nós da Nuseed, atualmente as cultivares comerciais de cana-de-açúcar possuem produtividade economicamente satisfatória quanto a precipitação anual ultrapassa dos 1200 milímetros e o déficit hídrico é inferior aos 350 milímetros anuais. As cultivares convencionais de cana-energia conseguem produzir satisfatoriamente quando a precipitação é superior aos 1000 mm e o déficit hídrico é inferior a 500mm. Com a parceria do IAC esperamos obter cultivares geneticamente modificadas (GM) aptas a serem cultivadas economicamente com precipitação anual superior a 900mm e/ou déficit hídrico inferior a 700mm. Essa pequena variação nessas faixas de tolerância abre espaço para o cultivo em mais de 30 milhões de hectares de áreas de pastagem degradadas apenas no Brasil e em mais de 1 Bilhão de hectares no Globo. Essa é a área que planejamentos para a produção de bioenergia, sem a necessidade de competirmos com áreas para produção de alimentos, contribuindo para a produção de biocombustíveis com baixo custo e altamente sustentáveis.


2) Como a empresa vê essa interação de uma parceria público privada? Quais são as vantagens/benefícios para empresa ter trabalho em conjunto ao IAC?
R. Pra nós da Nuseed essa parceria é de extrema importância, pois o estágio de desenvolvimento da tecnologia ainda se encontra distante de termos um produto comercial. Porém, entendemos que somente por meio da parceria público-privada será possível avançar rumo a esse desenvolvimento, que é de alto risco, mas com grande impacto econômico e social em caso de sucesso. Então temos um risco compartilhado e um sucesso também compartilhado em caso de obtenção de um produto comercial, que nesse caso seria uma nova cultivar de cana-energia mais adaptada aos ambientes mais restritivos.


3) Como a parceria IAC e Nuseed podem trazer sustentabilidade para as pesquisas com a cana-de-açúcar? Existem iniciativas específicas para reduzir o impacto ambiental ou promover práticas agrícolas sustentáveis?
R. Eu já comentei isso anteriormente, mas o foco grande da produção da cana-energia é que esta seja uma matéria prima de baixo custo para a produção de biocombustíveis e bioquímicos e em nano compostos. Esses produtos apresentam uma pegada de carbono neutra e/ou até mesmo negativa e poderão substituir os equivalentes fósseis de forma econômica. Então, por um lado estamos substituindo os combustíveis fósseis e por outro, estamos recuperando áreas de pastagens degradadas, melhorando a sua fertilidade no médio e longo prazo e também, contribuindo para a evolução socioeconômica das regiões onde esses projetos produtivos serão instalados.

4) Na visão da empresa, quais são os principais desafios futuros na pesquisa com cana-de-açúcar? Existem áreas específicas que oferecem oportunidades significativas para avanços e inovações?
R. Na visão da Nuseed, o desafio futuro da pesquisa com cana-de-açúcar/cana-energia é o de aumentar a produtividade de forma sustentável nos ambientes mais restritivos, deixando os ambientes de maior fertilidade para a produção de alimentos.

Entre em Contato

© CROP IAC 2021 – All rights reserved

PRIVACY POLICYTERMS OF USE